@-> Tapete de relva

As fagulhas do amor incandescente
deixam a relva em desalinho...
de tanto querer mútuo?
Querer guardado, desejado...
Contando cada segundo
que antecedia a consumação
As estrelas, testemunha ocular
Do amor sem prazo de validade
Entoam no firmamento
Uma canção lúbrica ao casal.


-Dora Vitoriosa-

@-> Meu eu indecifrável

Sou filha da sorte, irmã da coragem
Com cicatrizes na alma, prova da minha resistência
Criei no mais margo resquício da dor
O remédio para sarar minhas feridas
Das entranhas dilaceradas pelo amor fugido
Compus versos e cantigas de ninar
Tombei... caí... levantei...segui...
Alcei voo como um pássaro desgovernado
Cantei alegremente no meio de vendavais
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Provei todos os sabores da vida
Sobrevivi às chibatadas do cruel fado
Chorei enquanto todos riam
Dei gargalhadas da própria desgraça
Embora ferida, sangrando...
Vejo a vida além do umbigo
Mulher, menina, moleca
São tantas de mim que me perco na conta
Amante, selvagem, santa, profana...
Companheira leal, orgulhosa e insensata
Meio desvairada beijo a insônia
Se medito ou grito tanto faz
Não sei se durmo ou desfaleço
Estou loca? Esqueça...
Pois sem ti não tenho a vida que mereço.


-Dora Vitoriosa-

@-> Frisson de Amantes

Enquanto tu dormes tranquilamente
estes meus pensamentos profanos te desnudam
tomam posse do teu corpo sedutor
com a fome voraz de fêmea no cio.
Sou a fome desmedida
tu meu manjar celestial.
Sou a acrobata amazona
tu meu potro selvagem.
Sou teu cais,

Você e eu somos a perfeição das formas e sentimentos sacros e profoanos
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somos o côncavo e o convexo.
Encaixe perfeito das formas de amar.
Somos a justa embriaguez
dos deuses enfeitiçados
pela magia de suores e carícias.
Somos o ápice da volúpia escarlate
do sol rasgando os véus da noite.
Somos a canção de núpcias –
inveja dos mortais.
Você desperta em mim
meu lado mais louco
ainda não realizado
Desejo incontido de violar os sentidos,
sair do chão...

Peão desgovernado soluçando
sobre sua amazona trepidante
Quero ver sua face rubra
de tanto querer sem igual...
Não se contenha.
Solte suas amarras,
venha e me ame
Teu corpo minha calda
de chocolate morno
em noites de inverno

Quero você galopante...

-Dora Vitoriosa-ÉLF

@->- Sonho desfeito

Tágide já não sou mais
Nas margens do Tejo
minh’alma enclausurada grita por ti
Filho de Baco, menino vadio
Feristes impiedosamente
o coração que te sorria
Quando teu espírito desolado
buscava encontrar a paz
Sonhos desfeitos...

Castelos ruídos....
E o que outrora foram verdades
Agora são navalhas da mentira
Presa nas lembranças de um tempo distante
Contemplo tua face na taça de vinho tinto
Choro...Sangro...
Último gole...
despeço-me de ti, garoto bandido
Embalada por Santos e Pecadores
Quem se lembrará de nossa música favorita?


-Dora Vitoriosa-

@->- A certeza do amor vivido

Você e eu tivemos nossos sonhos de "um dia talvez..."
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Tempo, 
o poeta dos amantes 
não permite rascunhos.
A distância, 
tortura 
de almas desencontradas, 
deixa sangrar 
os corações quebrantados 
pela dor.
A dor, 
certeza do amor vivido, 
leva no colo de Zéfiro 
o toque suave da vontade 
estendida no solo 
da incerteza.
Ontem a promessa
Hoje, o sangrento vazio.

-Dora Vitoriosa-

@->- Eu sou o amor

                                                           Sou toda carícia,
Eu sou o amor à tua espera
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Fogo abrasador,
Amor em chamas...
Quebro regras
e dou asas à imaginação
 Sou intensa no querer
Sou paixão desmedida
Ousada, santa e pecadora
Angústia de tanto querer
 guardado...
Sonho inatingível de muitos
Realidade do privilegiado
Escolho, amo, faço e refaço
o desfeito
Construo castelos 
em constante movimento
Com os pés no chão.
Sou a alegria da chegada
ou a dor de quem partiu.



                                                             -Dora Vitoriosa-